quarta-feira, 24 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
História do Cemitério Campo Santo.
De acordo a museóloga Jane Palma, o Cemitério do Campo Santo, localizado no bairro da Federação em Salvador-Ba, é o mais antigo de Salvador, foi o maior do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Nele se encontram as criptas das mais elevadas personalidades do Estado.
Foi criado em 1835, com o objetivo de atender à demanda surgida pela Higienização Urbana frente à proibição de sepultamentos em igrejas e conventos. O Campo Santo foi atingido no mesmo ano pelo movimento conhecido como "Cemiterada", quando foi invadido e quase totalmente destruído por adeptos de irmandades religiosas e simpatizantes. Durante esta invasão, além de todo o muro da frente, parte da capela foi derrubada .
No ano seguinte, 1836, Salvador copia o modelo implantado no Rio de Janeiro, nessa ação de Higienização Urbana. A Província toma posse da Fazenda São Cristovão, com 302 mil metros quadrados e inaugura o Cemitério São Cristovão, hoje conhecido como Campo Santo. A única instituição naquele momento em pleno século XIX que já tinha uma relação com a sociedade baiana e brasileira, e uma credibilidade perante a sociedade, era a Santa Casa de Misericórdia, que administra o Cemitério até os dias atuais.
No final do século XVII, por medida sanitária, os sepultamentos passam a ser realizados em área aberta, nos chamados campos santos ou cemitérios secularizados e não mais nas igrejas.
A urbanização acelerada e o crescimento das cidades foram importantes razões para a criação dos cemitérios a céu aberto, visto que o crescimento populacional desenfreado não permitia mais o sepultamento em capelas e igrejas, que não comportavam mais o aumento da demanda.
O fato parece ter explicação simples, mas quando se atenta para o resultado ocorrido há mais de um século, estudando-se o fantástico derrame de fortunas nas construções tumulárias, verifica-se a diferença de comportamento entre a sepultura de igreja e a construção livre, arbitrada pela fantasia do usuário. Neste sentido, considerando-se a história social e cultural no mesmo período, então se percebe outras razões no fenômeno. Não foi somente uma questão do ponto de vista higiênico, mas uma razão que se divide em prática e científica, que é também política e social da sociedade oitocentista.


As elaborações de luto em casos de morte não podem ser consideradas completas sem os rituais fúnebres. Estas celebrações, além de possibilitarem contatos afetivos, e de conforto entre parentes, apresentam simbologias que pretendem concretizar o ocorrido.
Os rituais fúnebres e a elaboração do luto em si sofrem mudanças de acordo com os processos econômico-sociais vividos pelas sociedades. A tendência hoje é fazer tudo depressa, o mais indolor possível, reduzindo-se a simbologia ao mínimo necessário. As pessoas, por exemplo, não usam mais o preto para significar a morte, cor que tem uma função importante, pois comunica ao mundo ocidental uma situação especial vivida pela pessoa, que merece um tratamento diferente.
Os cemitérios reproduzem a geografia social das comunidades e definem as classes locais. Existe a área dos ricos, onde estão os grandes mausoléus, a área da classe média, em geral com as catacumbas na parede, e a parte dos pobres e marginais
No Cemitério Campo Santo, a arquitetura das suas necrópoles também reserva informações sobre a ocupação portuguesa de fins do século XVIII. As lápides, epígrafes e iconografias dos cemitérios são representações que foram produzidas e reproduzidas nas diversas dimensões do cotidiano de uma sociedade ao longo do tempo.
Portanto, o universo funerário existente nestes cemitérios são elementos significativos para uma investigação histórica e para o registro documental, pois são espaços agregadores da cultura material e imaterial capazes de perpetuar, e recuperar um acervo representativo da memória e da história da sociedade.
Nos cemitérios mais antigos, é comum encontramos trabalhos de artistas famosos abrigando os restos de anônimos abastados. Em alguns casos, os mausoléus são verdadeiras obras de arte, alvo de visitas e práticas de turismo.
No Brasil, parece não existir uma apreciação neste nível, mas uma concepção que relaciona os cemitérios a algum aspecto negativo, de aparência triste e dor. Neste caso, as visitas se limitam ao dia de finados e outras ocasiões esporádicas.

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